Durante entrevista concedida à Rádio 96 FM, a pedagoga e especialista em educação inclusiva, professora Vilma Muritiba, fez um alerta preocupante: crianças com deficiência, em especial as com Transtorno do Espectro Autista (TEA), estão enfrentando sérios obstáculos para frequentar as escolas da rede pública por falta de profissionais de apoio educacional.

    O caso veio à tona após a emissora receber um vídeo comovente de uma criança autista pedindo para voltar à escola. A criança está matriculada, mas não frequenta as aulas desde o início do ano letivo. O motivo? A ausência de um profissional de apoio que a acompanhe durante as atividades pedagógicas.

    “Essa criança está matriculada, então a garantia legal do direito à educação já foi cumprida nesse aspecto. O que impede sua frequência é a falta do profissional de apoio educacional, essencial para seu desenvolvimento pedagógico e permanência na escola”, explicou a professora Vilma.

    Crescimento da demanda, falta de estrutura

    A especialista destacou que a rede municipal de ensino enfrenta uma alta demanda de estudantes com deficiências – como paralisia cerebral, autismo e outras síndromes – e não possui número suficiente de profissionais habilitados para acompanhá-los.

    “É uma situação bastante preocupante. O número de estudantes que precisam desse suporte vem crescendo, mas o quadro de profissionais é muito reduzido e insuficiente para dar conta dessa realidade”, afirmou.

    Vilma sugere que uma das soluções seria a realização de concursos públicos específicos para essa área, além de parcerias com universidades para preparar e disponibilizar estagiários do curso de Pedagogia.

    Escolas ainda não são totalmente inclusivas

    Além da carência de profissionais, a pedagoga apontou a necessidade urgente de reestruturação das escolas para que sejam verdadeiramente inclusivas. Segundo ela, o problema vai além da sala de Atendimento Educacional Especializado (AEE).

    “É preciso pensar na escola como um todo: entrada, salas de aula, refeitório, banheiros e áreas comuns. Falta estrutura física e também material pedagógico adaptado. O que temos hoje é fruto do esforço pessoal de alguns professores, que, muitas vezes, tiram dinheiro do próprio bolso para criar esses materiais”, denunciou.

    Um direito que ainda encontra barreiras

    A professora finalizou a entrevista reforçando que, embora o direito à matrícula de alunos com deficiência esteja garantido, a permanência e a aprendizagem efetiva dessas crianças ainda encontram muitos obstáculos.

    “Estamos em um momento em que a inclusão precisa deixar de ser apenas uma diretriz legal e se tornar, de fato, uma prática real dentro das escolas. Sem estrutura, sem apoio e sem políticas públicas eficazes, continuaremos vendo crianças sendo excluídas do ambiente escolar — mesmo estando formalmente matriculadas.”

    Nota da prefeitura sobre o caso do estudante

    A Secretaria de Educação de Maceió designou um PAE (Profissional de Apoio Escolar) para acompanhar o estudante do 7º ano da Escola Municipal Hévia Valéria, a partir de segunda-feira, dia 1º de setembro.

    Atualmente, a Semed conta, em seus quadros, com cerca de dois mil PAEs, para o acompanhamento dos estudantes que necessitam do suporte. Como se trata de uma demanda contínua, pois anualmente entram novas crianças na rede, enquanto outras são identificadas com espectro autista ao longo do processo educativo, a secretaria trabalha sempre para que todos os estudantes sejam acolhidos da melhor forma nas unidades escolares.

    A entrevista completa foi transmitida no programa da Rádio 96 FM, com apresentação de Kássio Kiss. A emissora reforça seu compromisso em dar voz a temas relevantes da sociedade e cobrar políticas públicas que promovam a inclusão e a equidade na educação.

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