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A Venezuela afirmou, nesta quarta-feira (17), que suas exportações de petróleo seguem “normalmente” após o anúncio do presidente americano, Donald Trump, de um bloqueio a todos os “petroleiros sancionados” que entram ou saem do país. O governo do país que detém as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo chamou a declaração de “irracional” e de “ameaça grotesca”. A Força Armada venezuelana também condenou o anúncio.
Os Estados Unidos não reconhecem as reeleições de Maduro, em 2018 e 2024. A Justiça americana acusa o presidente venezuelano de “narcoterrorismo” e aumentou para US$ 50 milhões a recompensa por informações que resultem em sua captura.
Trump afirmou que o bloqueio será mantido até que a Venezuela devolva o petróleo que, em sua opinião, roubou dos Estados Unidos. As forças americanas não “deixarão entrar ninguém que não deveria estar passando”, declarou o mandatário a jornalistas na quarta.
A estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) informou, no entanto, “que as operações de exportação de petróleo e derivados se desenvolvem com normalidade”. “Os navios petroleiros vinculados às operações da PDVSA continuam navegando com total segurança, suporte técnico e garantias operacionais”, assinalou a companhia em comunicado. “Nenhuma agressão conseguiu afetar a capacidade operacional”, acrescenta a nota.
Maduro conversou por telefone com o secretário-geral da ONU, António Guterres. “Expus plenamente como tem sido a escalada de agressões e ameaças. É simplesmente uma pretensão de guerra e colonialista”, disse em um discurso transmitido por rádio e televisão.
O Irã, aliado do presidente venezuelano com Rússia, China e Cuba, denunciou nesta quarta-feira o “assalto à mão armada no mar” de um petroleiro, apreendido por militares americanos em 10 de dezembro.
O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, também expressou o repúdio de Pequim “a todas as formas de assédio” à Venezuela, em uma conversa por telefone com seu homólogo venezuelano, Yvan Gil.
A maioria das exportações de petróleo venezuelano tem como destino a China. A Venezuela produz 1 milhão de barris diários (bd) e estima alcançar 1,2 milhão até o final do ano.
Os preços do petróleo registraram alta nesta quarta-feira, após o anúncio de Trump.
‘Não nos intimidam’
Por sua vez, o ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino, afirmou que a Venezuela não cairá “em provocações”. “Dizemos ao governo americano e ao seu presidente que suas ameaças grosseiras e arrogantes não nos intimidam”, disse, acompanhado do alto comando militar.
Trump ordenou, em agosto, uma mobilização militar no Caribe e no Pacífico sob o argumento de combater o narcotráfico, embora Maduro insista em que o objetivo é forçar uma “mudança de regime” para se apropriar das riquezas venezuelanas.
Os Estados Unidos anunciaram na quarta-feira um novo ataque contra uma suposta lancha do narcotráfico no Pacífico que deixou quatro mortos. Desde o início da campanha antidrogas em setembro, o Pentágono efetuou mais de 25 ataques que deixaram pelo menos 99 mortos.
Na semana passada, militares americanos apreenderam um navio-tanque alvo de sanções do Departamento do Tesouro americano, que havia zarpado da Venezuela carregado de petróleo.
Os Estados Unidos ficaram com a embarcação e a carga, estimada entre 1 e 2 milhões de barris de petróleo. O governo Maduro chamou a ação de “roubo descarado” e acusou Trinidad e Tobago de ajudar na apreensão.
Um bloqueio ao petróleo venezuelano “cortaria um salva-vidas crucial para a economia”, indicou a consultoria Capital Economics. “O impacto no médio prazo dependerá em grande medida de como evoluem as tensões com os Estados Unidos e de quais forem os objetivos do governo americano na Venezuela”.
*Com informações da AFP
Publicado por Nícolas Robert

